TV Case Adventure

domingo, 12 de fevereiro de 2012

PICO ADVENTURE: PONTA DA JOATINGA


Fotos: André Silva e João Almeida
Texto e Remo: João Almeida

João Almeida no paredão da Joatinga. Foto: André Silva

"Vocês passar naquele inferno nesses barquinhos aí?" A frase foi dita por um velho caiçara, na praia dos Sanchos em Trindade, no Rio de Janeiro. Os barquinhos eram nossos Sit On Top, da Brudden (modelo Fly Fishing). O experiente caiçara estava falando comigo, Eduardo Standersk, Marcelo Liochi, Gustavo Nogueira e Carlos Marcondes. Cinco remadores que resolveram desafiar todas as lendas que cercam a temida Ponta da Joatinga, um paredão de quase 8 quilômetros de extensão, que fica bem pertinho de Paraty, no litoral fluminense. Para pescadores e caiçaras mais antigos, este é o verdadeiro inferno para embarcações. O vento entra de todos os lados e pode chegar sempre a qualquer momento. Fomos orientados por navegadores experientes a somente passar, quando todas as condições climáticas estivessem favoráveis. Naquele final de semana, o "dia favorável" era o domingo. Saímos de Trindade no sábado, com um dia acinzentado. Um clima de expectativa tomava conta de todos. A Ponta da Joatinga nos esperava. Passar ou não passar? Veremos quando chegarmos lá.


Pareceiro Edu Standerski em prosa na Ponta Negra

Vista do Farol da Joatinga

A viagem começou às 10h00. Saímos da praia dos Sanchos. No trajeto passaríamos pela Ilha de Martin de Sá e pela não menos temida Ponta Negra. E foi lá exatamente na Ponta Negra, que a chuva, o vento e o céu ainda mais escuro, nos trouxeram à cabeça a frase do velho caiçara de Trindade. O vento entrou forte, vindo do leste, bem no início da Ponta Negra. Á esquerda, avistávamos de longe a praia. Seguir ou não seguir já não era mais uma questão de escolha. A chuva chegou forte arrastada por um vento que simplesmente cuspiu nossos caiaques para a reia. Na beira da praia, um grupo de pessoas assistiam cinco remadores tentando enxergar o branco da areia. Foram minutos tensos, mas chegamos à praia. O grupo estava ensopado, assustado e aliviado.

Amanhecer na praia da Ponta Negra - foto: João Almeida

Na areia descobrimos que o grupo que estava lá era composto por crianças, filhos dos caiçaras que moram por alí. Estávamos em um lugar, que parecia meio esquecido pelo tempo. Sem água encanada nem coleta de esgoto aparente. A luz chegava por placas de captação de energia solar ou por barulhentos geradores. Os caiçaras nos contam que vivem da pesca. Levam tudo que conseguem tirar do mar para os restaurantes chiques de Paraty. Não precisamos nem dizer que todo esforço dos pescadores é compensado com migalhas e se transforma em pratos caros, que vão parar no estômago dos abastados e nos guias internacionais da culinária caiçara. Ah, se eles soubessem.

Pescadores na lida diária na Ponta Negra - foto: João Almeida

O cansaço já estava conosco desde a chegada do vento forte. Mas a fome, esta só apareceu depois de baixada a adrenalina. O que comer? "Tem um restaurante lá no topo daquele morro ali", disse um dos caiçaras. Fomos lá.  Para chegar ao restaurante, que era na verdade uma casa, bastou seguir o cheiro do peixe frito que vinha da cozinha, uma peça rústica, alimentada por lenha dali mesmo sustentava panelas de barro. A fumaça lembra aqueles cenários do interior do país. O gosto do peixe, que segundo a mocinha que serviu, tem o nome de chinelo, ainda está na memória e soa constantemente como um convite a um retorno aquele pedaço de paraíso cravado num canto qualquer da exuberante mata atlântica, banhada pelo trecho norte do litoral paulistano.
Farol da Joatinga - Chegamos lá - Foto: André Silva

Contato feito, fome saciada, hora de dormir. Montamos as barracas alí mesmo na beira da praia. No dia seguinte, a nuvem negra que pairava sobre a praia de Martin de Sá estava apenas na memória de uma remada dura do dia anterior. Era dia de encarar a Ponta da Joatinga. Saímos cedo. A previsão era de um dia sem chuva, pouco vento e céu muito claro. André Silva, fotógrafo que estava no veleiro de apoio, que encontraríamos no começo da Ponta da Joatinga, agradeceria o dia e retribuiria com belíssimas imagens, vistas ao longo dese post.

Carlinhos interagindo com a Joatinga - Foto: André Silva

Com dia claro, o mar tranquilo e nada de vento, a remada pela Joatinga foi cansativa, mas passamos bem. Algumas horas de movimento contínuo e chegamos até o local, onde iniciaríamos uma das maiores aventuras desta remada. A subida até o Farol da Joatinga. Uma hora e 40 minutos de subida morro acima. Levamos apenas água e claro câmeras fotográfica. Não daria mesmo para perder o visual proporcionando pelo pico. Para se ter uma idéia, do Farol da Joatinga possível avistar boa parte da usina de Angra. Um visual inesquecível. Na volta, nos encontramos com uma galera simpática do povoado formado por pescadores alí da Joatinga. Diversão garantida. Energia renovada e remada recomendada.

Serviço

Para chegar até a Joatinga, de caiaque, claro, o embarque pode ser feito em Trindade, que é a última praia possível de se chegar de carro. A partir daí, só embarcado. De caiaque, com pouco vento, vai levar umas 5 horas. Não esqueça de levar uma boa carga de suprimento e claro, uma barraca. A remada é cansativa e o ideal é voltar no dia seguinte. Importante: observe sempre as condições do tempo e a previsão de ventos para a região.


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